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Entre memória e ficção, Yandra Braga transforma história familiar em literatura

Autora de “Chorando Sobre a Mesa” fala sobre os limites entre realidade e criação, a influência das histórias que escuta e a importância da escritora Luciana Martins em sua formação

Onde termina a memória e começa a ficção em Chorando Sobre a Mesa? Para Yandra Braga, nem sempre é possível estabelecer essa fronteira. Inspirado na trajetória de sua mãe e atravessado também pelas próprias vivências da autora, o livro mistura lembranças, relatos, pensamentos e elementos ficcionais.

“Eu não consigo dizer exatamente em que momento sou eu e em que momento é a minha mãe. Ficção e realidade estão misturadas. É uma grande sopa, tudo junto”, afirma a autora.

A liberdade de transitar entre realidade e criação permitiu a Yandra preservar a intimidade das pessoas envolvidas na história. Ao escrever, a autora modificou acontecimentos, suprimiu informações e acrescentou passagens ficcionais, construindo uma obra que nasce de experiências reais sem a pretensão de reproduzi-las literalmente.

A formação de Yandra como escritora também passa por viagens, leituras, encontros e pelas narrativas alheias. Nos últimos dois anos, uma presença ganhou importância especial nesse percurso: a escritora Luciana Martins, a quem Yandra define como mentora e professora. Em entrevista, a autora detalha o processo de transformar memória em literatura e as experiências que moldaram sua escrita:

Entrevista

Quanto de Chorando Sobre a Mesa é realidade e quanto é ficção?

Yandra Braga: O livro mistura muitas coisas. Tem relato de viagem, diário, pensamentos e ficção. Eu inventei coisas, modifiquei outras. Não consigo dizer exatamente em que momento sou eu e em que momento é a minha mãe. Ficção e realidade estão misturadas. É uma grande sopa, tudo junto.

Por que você escolheu misturar realidade e ficção em vez de simplesmente contar a história como ela aconteceu?

Yandra: Foi muito difícil escrever sobre uma história tão íntima. Minha família está viva e eu não queria expor a intimidade de ninguém. Então, brinquei muito com as histórias. Aumentei algumas coisas, diminuí outras. Teve coisa que tirei, coisa que coloquei e informações que mudei. Só quem viveu realmente sabe o que aconteceu e o que não aconteceu. Tentei ser o mais respeitosa possível ao escrever esse livro sobre nós.

Apesar de partir de uma experiência familiar tão particular, por que você acredita que a história consegue se conectar com outras pessoas?

Yandra: É uma das coisas que eu mais gosto na história: ela é comum, é simples. Não tem nada de extraordinário. É apenas uma história bonita e triste. É a história de uma jovem se tornando adulta e tentando tomar as melhores decisões para a própria vida. Mesmo que você tenha vivido uma história diferente, consegue imaginar muitas das situações pelas quais ela passa. E fui percebendo que outras pessoas se reconheciam nela. Aquela história deixava de ser apenas a história de uma pessoa. Ela também poderia ser a história de outras mulheres, de suas mães e de suas avós.

Além das viagens, leituras e pessoas que você conheceu, houve alguém especialmente importante na sua formação como escritora?

Yandra: Uma experiência que me atravessa muito foi começar a trabalhar com a escritora Luciana Martins, aqui em Brasília. Trabalho com ela há dois anos e ela é uma mentora para mim, de verdade. Tive acesso ao acervo gigantesco de livros dela e li muita coisa. Ela também me ajudou a pensar o projeto e me guiou durante esse processo. A Luciana é fundamental para o lugar em que estou hoje na minha formação. Ela é uma grande professora para mim.

Como é perceber que uma história tão íntima, que começou dentro da sua família, agora pertence também aos leitores?

Yandra: Ver até onde a minha história pode alcançar é emocionante. Dá um pouquinho de medo também, porque é uma história muito íntima. Eu queria que as pessoas conhecessem, mas agora que ela está no mundo, pela primeira vez, cada vez mais pessoas poderão processá-la de formas diferentes. Então, é muito emocionante.

Sobre a Autora

Yandra Braga é escritora, natural de Montalvânia (Norte de Minas Gerais) e radicada no Distrito Federal. Sua formação literária é construída a partir de viagens, estudos, leituras, saraus e pela troca constante com outros escritores e artistas. Em Chorando Sobre a Mesa, parte de vivências familiares para estruturar uma narrativa onde memória e ficção se entrelaçam.

Serviço: Onde encontrar Chorando Sobre a Mesa

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